Antes de partir para o Oriente Médio já me preparei. Levei as roupas mais largas e cobertas que existiam no guarda-roupas e pra não dar bola fora com os locais, nem ser sequestrada pelo caminho, comprei uma espécie de bata de mangas compridas para andar por lá, acessório obrigatório para entrar em qualquer templo. Esqueça ombros de fora, pernas, nem ouse. Andava eu feliz e contente (mentira, tentando respirar abafada naquela túnica, num calor de 40 º) quando um senhor  atravessou a rua e começou a xingar até a minha décima geração e o detalhe, em hebreu. Falou, falou, falou (berrou, berrou) e eu olhando pra ele com aquela cara de paisagem, sem entender bulhufas. Até que uma alma caridosa veio me socorrer e disse: não basta estar coberta da cabeça ate o chão, tem que cobrir também o tornozelo. Então tá. Com o frio delícia de Londres e usando botas todo dia a chance de alguém se apaixonar pelo meu tornozelo esta próxima de 0. Vou morrer solteira. IsraelEu desconcertada e com cara de poucos amigos no Muro das Lamentações. Custei a me recuperar depois do esculacho. MINOLTA DIGITAL CAMERACaminhando perto do South Ghetto em Tel Aviv