Aquela coisa boa, preparação para mais uma viagem e milhões de expectativas. Fazia dois anos que eu não ia para o Brasil então a ansiedade estava à mil. A Royal Air Maroc opera voos Londres-São Paulo há não muito tempo e tem promoções super boas com escala em Casablanca. O voo nem é tão sofrido quanto parece: sai no fim de tarde de Londres, pára por cerca de duas horas e chega em São Paulo ali pelas 7 da manhã do outro dia. Dependendo é claro de quantas horas o voo atrasar na saída (capítulo 1 da história). Achei bom demais pra ser verdade uma passagem de menos de £500 para viajar para o Brasil em pleno Natal. Dizem que foi um valor promocional por ser uma rota nova. Pode-se levar 2 volumes de 23kg + a bagagem de mão – coisa importantíssima para nós brasileiros que adoramos carregar um monte de cacalhadas. O check in em Londres foi tranquilo, até que bem organizado, mas o primeiro voo atrasou mais de uma hora para o embarque e mais uma para sair. Até aí tudo bem, normal, afinal, sabemos que clima, chuva e vendaval complicam a vida do viajante. Chegamos em Casablanca, pouso perfeito e ao checar os horários de partida, atrasado novamente. Muita gente, inclusive eu – que ia pegar outro voo no Brasil já comecou a ficar nervosa, afinal, a chance the perder o proximo voo já era grande. Mas fazer o que né? Tem que esperar.. Vamos então tomar uma àgua, um café, comer algo no aeroporto enquanto isso? Não! Afinal, no aeroporto de Casablanca nenhum café aceita cartão de crédito e nem outra moeda que não seja o dihram ou euros. Tentei gastar em libra e a atendente não aceitou. Não tentei comprar mais nada em outro lugar depois, sentei e esperei, mas tente, vai que rola né? Sorte que sou prevenida e comida na minha bolsa é o que nunca falta, então consegui esperar até o jantar. Depois de quase uma hora e meia de atraso, ufa, hora de embarcar.

Fila básica na entrada do aeroporto

Fila básica na entrada do aeroporto

Consegui um upgrade, viva!! Isso nunca aconteceu na minha vida, mas né? A sorte um dia chega. Fui lá felizona, sentei e aguardei ansiosíssima pela minha partida, afinal depois de muito atraso e dois anos de saudade lá ia eu para o meu Brasil. Jantar servido, serviço de bordo encerrado, quase meia-noite e aquele silêncio tomando conta, comecei a passar mal. Mal, mal mesmo muito mal. Enjoo, vômito, dor de barriga e o desespero de ver que durante 5 horas isso não parava – bendito upgrade que me colocou ao lado do banheiro e na Business Class ou seja, menos gente para ver todo o movimento e fez a minha situação ficar menos pior. Durante a noite chamei os atendentes por cinco vezes. Eu precisava de água, não parava de vomitar e depois de muitas levantadas, estava completamente desidratada. Não consegui pregar os olhos e perdi as contas de quantas vezes tive que levantar até às 5 da manhã. A cozinha vazia, ninguém passava, comissários de bordo não vinham, nem uma alma caridosa e eu ali querendo ajuda. Sorte minha que o cara que viajava ao meu lado, ao ver meu desespero, levantou e foi chamar um atendente que com muita ma vontade deixou uma garrafa d’água lá só que muita gente se serviu e logo acabou. Aí já era, minha noite foi um tormento.

Voo das 21.55 saindo depois da meia-noite

Voo das 21.55 saindo depois da meia-noite

Quando começaram a se preparar para servir o café da manhã, pedi novamente ajuda, dessa vez direto para o comissário de voo. Eu disse que estava muito mal, fraca, não conseguia mais levantar para ir ao banheiro e pedi se eles poderiam verificar se tinha algum médico que pudesse vir me ver. Ele muito grosseiramente mandou esperar e que primeiro ia servir o café da manhã. Eu lá morta-viva. Chega ele com o carrinho. Eu pedi o médico, ele me mandou tomar chá, colocou a bandeja na minha mesinha e sumiu. Quando voltou, perguntei seu nome e ele falou que não me interessava. De repente chegou a “supervisora”, que também não pode dizer seu nome. Disse que não podia fazer nada, nem perguntar por um médico, afinal já îamos pousar. Não podia fazer nada mesmo, porquê nem ajuda nem água ofereceu. Fiquei de meia-noite às 7 da manhã sofrendo, a luz de chamada acessa, serviço péssimo, comissários mal-humorados, atrasos e mais atrasos. O carinha que voou ao meu lado foi quem me ajudou a pegar as malas na esteira. A mulher que vinha na minha frente, junto com outras cinco pessoas reclamavam enquanto aguardavam as malas, afinal o próximo voo já tinha sido perdido. Provavelmente ficaram rodando no aeroporto de Guarulhos por algumas horas até serem remanejados pelas outras companhias, enquanto eu tive que tomar injeção na bunda e ficar no soro lá no ambulatório do aeroporto de Guarulhos até meu voo ao destino final chegar. Pelo menos posso agradecer à equipe de atendimento do Ambulatório de Guarulhos. Excelente trabalho e super humanos, nota mil! Enquanto não recomendo ninguém a voar pela Royal Air Maroc, que se é que ainda tem algum lucro, espero que o mínimo seja investido em treinamento para seus funcionários (Voo AT213 14 Dec). Ah e claro, só para constar: no retorno à Londres, eu e mais alguns passageiros perdemos o voo. Culpa do atraso, novamente saindo do Brasil e sem tempo hábil para pegar as malas e embarcar. Fora que o portão de embarque não estava impresso no bilhete, nem na sala de embarque e nem nas telas que chamam para o embarque. Assim, além de ter problemas na ida, também tive na volta. Perdi o voo para Londres e passei o reveillon sozinha em um hotel em Casablanca. Pelo menos disso não posso reclamar, comecei o ano viajando e com um carimbo a mais no passaporte.
* Leia outras opiniões de quem já viajou por essa e outras companhias aéreas

Na volta sobrou dirham :)

Na volta sobrou dirham 🙂

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